19 de Maio de 2017 às 10:16

Setor bancário é o mais lucrativo, aponta Economatica

Lucro

Levantamento da consultoria Economatica mostra que o setor bancário continua sendo o mais lucrativo no país. No ranking das 20 empresas de capital aberto com maior lucro no primeiro trimestre, cinco são bancos. O Itaú figura em segundo lugar, com resultado de R$ 6,05 bilhões  – a Vale lidera com R$ 7,89 bilhões –, e o Bradesco aparece em quarto, com lucro de R$ 4,07 bi. Em quinto vem o Banco do Brasil (R$ 2,44 bi), em sétimo o Santander (R$ 1,82). O BTG Pactual também figura no ranking, em 13º, com R$ 720 milhões. A Economatica leva em conta o lucro contábil das empresas.

Segundo a consultoria, as 18 instituições financeiras com ações na Bovespa, registraram lucro líquido de R$ 15,4 bilhões nos primeiros três meses deste ano, o que deixa o setor na liderança. O segundo setor mais lucrativo foi o de alimentos e bebidas com R$ 2,08 bilhões.

Os altos lucros dos bancos deveriam resultar em criação de empregos, mas o setor corta vagas. É o que destaca a secretária-geral do Sindicato, Ivone Silva. “Os bancos têm excelente saúde financeira mas, por ganância, estão extinguindo postos de trabalho e sobrecarregando os bancários. O assédio moral e a pressão pelo cumprimento de metas cada vez maiores, que adoecem milhares de bancários, também são uma realidade nesse setor que vai tão bem financeiramente”, denuncia.

Sobrecarga – Dados fornecidos pelos próprios bancos confirmam. No Santander, que extinguiu 3.245 postos de trabalho em doze meses, o número de clientes por empregado chegou a 764,2 em março deste ano, crescimento de 12,9% (eram 676,6 clientes por empregados há um ano). O que demonstra a enorme sobrecarga de trabalho dos funcionários do banco espanhol. E isso mesmo com um lucro líquido gerencial recorde de R$ 2,280 bilhões no primeiro trimestre deste ano, que representou alta de 37,3% em doze meses e colocou a unidade brasileira como a mais lucrativa do grupo.

No Banco do Brasil, o número de correntistas por bancário alcançou 652,7 no primeiro trimestre deste ano, aumento de 12,3%, já que eram 581,5 clientes por trabalhador em março de 2016. O lucro líquido ajustável de R$ 2,5 bilhões no primeiro trimestre, cada funcionário gera R$ 25.159,06 em lucro para o banco. Mesmo assim, houve corte de 9.900 empregos entre março de 2016 e março de 2017.

No Bradesco, em março deste ano, o número de clientes por bancário chegou a 280,1 no primeiro trimestre. Houve aumento de 12,3% (eram 249,5 em março de 2016), mas é preciso lembrar que com a compra do HSBC o número de empregados aumentou. Sem isso, talvez esse número fosse maior. O Bradesco cortou 3.278 postos de trabalho desde setembro do ano passado, após a incorporação do banco britânico; e teve lucro líquido ajustável de R$ 4,648 bilhões apenas nos primeiros três meses do ano, o que significou crescimento de 13% em doze meses e 6% na comparação com o trimestre anterior.

O Itaú não divulga no balanço o número de clientes por empregados, mas é possível ter uma ideia da sobrecarga no banco quando se leva em conta que a instituição cortou 1.652 postos de trabalho em um ano, apesar do crescimento de 19,6% do lucro, que atingiu R$ 6,176 bilhões no primeiro trimestre.

Fonte: SEEB/São Paulo

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