17 de Junho de 2026 às 21:46
Debates

O 36º Congresso Nacional dos Funcionários e das Funcionárias do Banco do Brasil (CNFBB) foi aberto nesta quarta-feira (17) com a leitura do manifesto "Tolerância zero para casos de violência e assédio", realizada pela coordenadora da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB (CEBB), Fernanda Lopes.

Luciana Rodrigues e Alvaro Marzochi estão representando os bancários e bancários do BB da base do SEEBCG-MS no Congresso. “Tivemos o nosso primeiro dia hoje de evento, conversamos sobre os desafios da nossa categoria, uma análise da conjuntura atual. Temos mais dois dias ainda pela frente, vamos debater as propostas dos funcionários do Banco do Brasil, o que nós podemos levar até a mesa de negociação para debater com os bancos, porque o nosso trabalho aqui é esse: em defesa da categoria e para conseguir sempre o melhor acordo para todos nós", disse o secretário de Comunicação do sindicato, Alvaro Marzochi.

A primeira mesa de debates do 36º CNFBB, “Conjuntura e papel do BB como banco público”, foi coordenada pelo presidente da Fetec-Centro Norte, Rodrigo Brito, e contou com a participação do economista e ex-técnico do Dieese Jorge Gouvêia como palestrante.

Gouvêia fez uma ampla análise sobre as instituições responsáveis pela regulamentação do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e a necessidade de discutir um novo modelo regulatório para um SFN a serviço do desenvolvimento econômico que favoreça toda a sociedade.
"Esse 'insulamento burocrático', que faz com que o Conselho Monetário Nacional (CMN) seja operado sem a participação ou controle social e com reduzido controle legislativo, permite que o sistema financeiro no Brasil permaneça oligopolizado, disfuncional e excludente, falhando em promover o desenvolvimento equilibrado do país ou servir aos interesses da coletividade, conforme previsto na Constituição", pontuou.
Gouvêia também apontou que o Banco Central acumula funções que podem gerar conflitos de interesse na regulação e fiscalização, na gestão da moeda — controle da inflação e das taxas de juros — e na gestão do câmbio.
"O Brasil foi um dos últimos grandes países a instituir um Banco Central que, assim como o CMN, é um instrumento que atua na regulamentação do sistema financeiro", explicou. "Mas a autonomia concedida ao Banco Central do Brasil traz sérios riscos à gestão fiscal do país e permite a manutenção de um sistema financeiro oligopolizado e disfuncional, que não atende plenamente aos interesses da coletividade. Como podemos, por exemplo, pensar na industrialização do Brasil com uma taxa básica de juros de 15% ao ano? Além de impedir o desempenho do setor produtivo, a manutenção da Selic elevada é um bônus para os rentistas", criticou o pesquisador.
Gouvêia identificou que, como sociedade de economia mista, o Banco do Brasil sofre uma tensão entre sua função social como empresa estatal e a busca pela geração de valor para os acionistas.
"Como sociedade de economia mista, o BB deve cumprir sua função social, atendendo ao interesse coletivo e servindo como instrumento da política creditícia do governo federal. Mas, até 2016, legalmente, sua função estava focada em promover o desenvolvimento sustentável e a inclusão social e produtiva. A partir daquele ano, o Banco do Brasil passou a se definir como um 'Banco de Mercado com Espírito Público', priorizando a rentabilidade, a experiência do cliente e a transformação digital. E foi essa mudança estratégica que resultou na perda de mercado para bancos privados, como o Itaú, em 2018, devido à exclusão de segmentos considerados menos rentáveis", completou.
As consequências dessa mudança, destacou o economista, foram um banco que passou a atender cada vez mais aos interesses dos acionistas e menos aos interesses da população. Em 2025, o banco apresentou distribuição de lucros entre 40% e 45%, bem acima do mínimo obrigatório de 25%. Paralelamente a isso, houve redução na participação dos créditos voltados para micro e pequenas empresas e para a agricultura familiar (Pronaf).
"Em dez anos, de junho de 2016 a março de 2026, a rede de agências no Brasil sofreu um corte significativo, passando de 5.428 para 3.942", destacou Gouvêia.
O economista também ressaltou que, no mesmo período, houve redução de 24.996 postos de trabalho (-22,8%). "O número de clientes por funcionário subiu 83,7%, e o número de clientes por agência quase dobrou, com aumento de 95,3%. Houve uma elitização da clientela, focada em clientes com alta maturidade digital, transferindo os custos do serviço para o autoatendimento remoto", ponderou.
O palestrante relembrou que, na crise financeira de 2008, o BB exerceu com sucesso sua função pública, aumentando sua participação no mercado para compensar a retração de outras instituições e ampliando a oferta de crédito. Entre dezembro de 2007 e dezembro de 2010, a participação do BB na oferta de crédito no país subiu de 5,2% para 8,9% do PIB.
Em 2012, o BB também se destacou por liderar a redução das taxas de juros por meio do programa "Bom para Todos". "Para reverter a trajetória recente e fazer com que o BB volte a reforçar seu papel social, é necessário que o Estado volte a atuar como controlador ativo, assegurando que o interesse público prevaleça. Também é necessária a revisão das metas de rentabilidade, para que o potencial de oferta de crédito não seja subutilizado em nome de retornos livres de risco. Por último, é preciso resgatar o mandato de instituição financeira pública para enfrentar os novos desafios econômicos e sociais", concluiu o economista.
Ao final da mesa, Rodrigo Brito agradeceu a Jorge Gouvêia pelos dados apresentados às delegadas e aos delegados, representantes dos trabalhadores do BB de todo o país. “Não adianta sentar em uma mesa de negociação sem saber disso tudo, sem conhecer essa história. É necessário debater esses dados. Sem isso, todos os nossos esforços de negociação e organização das bases não serão eficientes”, pontuou.
O 36º CNFBB segue até sexta-feira (19), com o objetivo de debater os desafios da categoria, construir propostas para a defesa dos direitos dos funcionários e preparar a participação na 28ª Conferência Nacional dos Bancários.
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Por: Contraf - com edição da Comunicação do SEEBCG-MS
Fotos: Reginaldo de Oliveira - Martins e Santos Comunicação
Link: https://www.seebcgms.org.br/campanha-nacional-2016/defesa-do-banco-do-brasil-publico-marca-abertura-do-36o-cnfbb/