17 de Junho de 2026 às 21:54
Fortalecimento

Empregados e empregadas da Caixa de todo o país iniciaram, na tarde desta quarta-feira (17), os debates do 41º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa Econômica Federal (Conecef) sobre os principais desafios da categoria e definir estratégias de atuação em defesa dos direitos dos trabalhadores, do fortalecimento da Caixa como banco público e da ampliação de conquistas para os empregados.
Representando a base do Sindicato dos Bancários de Campo Grande-MS e Região, estavam os delegados Everton Espindola e Clalber Brito Poderoso.
“Até o dia 19, nossos debates serão intensificados em torno de pautas cruciais: saúde do trabalhador, PLR, reajustes e a defesa de uma Caixa 100% pública. Lembramos que em agosto teremos a votação do novo aditivo de saúde e do nosso acordo coletivo”, disse o secretário de Saúde do sindicato, Everton Espindola
“A expectativa para o evento é a melhor possível, com pautas altamente relevantes a serem debatidas ao longo dos próximos três dias. Esperamos que todas as reivindicações da categoria sejam encaminhadas à mesa de negociação e devidamente atendidas”, destacou o diretor suplente da Diretoria Administrativa do SEEBCG-MS, Clalber Brito Poderoso.

Na abertura dos trabalhos, foi feita a leitura do manifesto da Contraf-CUT de Tolerância Zero para Casos de Violência e Assédio.
"A Contraf, as federações e os sindicatos presentes afirmam que todas as pessoas têm o direito de ser tratadas de forma digna, respeitosa e justa, e de viver uma vida livre de violência e assédio, sem distinção de idade, gênero, sexo, orientação e identidade sexual, deficiência, religião ou origem étnica", diz trecho do manifesto.

A primeira mesa de debates do 41º Conecef teve como tema a Conjuntura Política e o Sistema Financeiro Nacional. Foram convidados para palestrar o deputado federal Tadeu Veneri (PT-PR) e Marcelo Rodrigues de Azevedo, professor doutor do Instituto de Economia da Unicamp.
Durante sua intervenção, o deputado federal Tadeu Veneri analisou os desafios da classe trabalhadora frente à precarização e à economia de plataformas. O parlamentar defendeu a conscientização política e o fortalecimento das instituições financeiras públicas como motores de desenvolvimento e garantidores de empregos.
“Além de mantermos a Caixa e o Banco do Brasil públicos, precisamos defender os empregos e fortalecer o papel que essas instituições cumprem para o desenvolvimento do país”, disse.
O deputado também ressaltou que as grandes conquistas trabalhistas dependem de pressão social, e não apenas da atuação parlamentar: “O parlamento, por si só, não representa integralmente os interesses dos trabalhadores. As grandes conquistas da classe trabalhadora sempre ocorreram quando houve organização e pressão social. É a mobilização popular que cria as condições para avançar”, observou.
Na sequência, o professor e pesquisador Marcello Rodrigues de Azevedo apresentou a evolução da estrutura financeira da China e destacou como os bancos públicos foram utilizados como instrumentos estratégicos para impulsionar o desenvolvimento econômico do país. Segundo os dados apresentados, atualmente a China possui três bancos políticos, seis bancos nacionais de políticas públicas e cerca de 1.650 bancos de desenvolvimento distribuídos em diferentes níveis territoriais.
“O sistema financeiro não pode existir apenas para atender aos interesses do próprio mercado financeiro. Na experiência chinesa, os bancos foram organizados para financiar infraestrutura, inovação tecnológica, agricultura, industrialização e desenvolvimento regional. O crédito é tratado como uma ferramenta estratégica para o desenvolvimento do país”, afirmou.
Além disso, rebateu a ideia de que a tecnologia destrói postos de trabalho, citando que o sistema chinês concilia digitalização com a manutenção de 1,9 milhão de empregos bancários.
“A tecnologia pode servir para ampliar o acesso aos serviços financeiros e aumentar a eficiência do sistema. O problema não é a tecnologia em si, mas o modelo adotado. A experiência chinesa mostra que é possível combinar digitalização, expansão dos serviços e manutenção de uma ampla estrutura de atendimento”, avaliou.
Ao final da exposição, Marcello incitou que os participantes reflitam sobre uma série de questões sobre a realidade brasileira: se a atual estrutura de financiamento atende às necessidades do desenvolvimento nacional, qual é o efetivo papel dos bancos públicos brasileiros e até que ponto todo o sistema financeiro (público e privado) está comprometido com um projeto de desenvolvimento econômico e social para o país.
“A experiência chinesa não deve ser copiada mecanicamente. Cada país tem sua realidade. Mas ela demonstra que é possível construir um sistema financeiro comprometido com objetivos de desenvolvimento nacional. Essa talvez seja a principal reflexão que precisamos fazer no Brasil neste momento”, concluiu.
Após o encerramento da mesa de debates, os mais de 200 delegados do 41º Conecef se deslocaram até a Casa de Portugal, também na capital paulista, para se juntarem aos representantes dos bancários e bancárias do Banco do Brasil, Banco do Nordeste e Banco da Amazônia na Abertura Solene dos Congressos dos Bancos Públicos.
A programação do 41º Conecef segue na quinta-feira, dia 18, quando serão realizadas mesas de debate sobre Saúde Caixa e Condições de Trabalho; Carreira e Remuneração Variável; além dos grupos de trabalho sobre Saúde Caixa; Saúde e Condições de Trabalho; Remuneração e Carreira; e Defesa da Caixa e da Funcef.
Já na sexta, dia 19, será realizada a plenária final do 41º Conecef, na qual será debatida e aprovada a pauta específica de reivindicações dos empregados e empregadas da Caixa para a Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026.
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Por: Contraf e SP Bancários - com edição da Comunicação do SEEBCG-MS
Fotos: Reginaldo de Oliveira - Martins e Santos Comunicação
Link: https://www.seebcgms.org.br/campanha-nacional-2026/41o-conecef-e-aberto-com-manifesto-e-licoes-do-sistema-financeiro-chines/