25 de Agosto de 2026 às 18:18
10ª rodada

Pela primeira vez, após 10 rodadas de negociação por aumento real e melhores condições de trabalho, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) apresentou nesta terça-feira (25), duas propostas de reajustes, porém rechaçadas pelo Comando Nacional dos Bancários, por significarem perda real e de direitos na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).
"As propostas apresentadas foram vergonhosas, ficando muito abaixo da inflação. Inicialmente, ofereceram apenas 2,06% e, no período da tarde, voltaram com 2,57% de reajuste. Recusamos na mesa. Os bancos lucram dezenas de bilhões de reais, mas não valorizam o trabalho da categoria nem repõem a inflação", disse a presidenta do SEEBCG-MS, Neide Rodrigues, que faz parte do Comando Nacional dos Bancários w está em São Paulo participando das negociações com os bancos.
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A primeira proposta foi o aumento de 2,06% (50% da inflação) e, a segunda, de 2,57% (62% da inflação), que representariam perdas reais na remuneração da categoria (ou seja, abaixo da inflação) de 1,99% e de 1,50%, respectivamente.
A primeira proposta incluía ainda:
- Fim da indenização por morte ou incapacidade por assalto e do auxílio funeral;
- Retirada da multa em caso de descumprimento da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT);
- Congelamento da PLR e do piso de ingresso;
- Exclusão da verba de requalificação;
- Exclusão da gratificação de compensador de cheque;
- E exclusão da ajuda de deslocamento noturno.

Após o Comando Nacional rechaçar a primeira proposta, a mesa entrou em pausa e, na retomada, a Fenaban voltou com o índice de 2,57% para os salários e ainda:
- Congelamento da PLR e do piso de ingresso;
- Aumento de 2,57% no auxílio creche/baba, auxílio para pais com filhos PcD e ajuda de custo para o teletrabalho;
- Exclusão da gratificação de compensador de cheque; e
- E exclusão da ajuda de deslocamento noturno.
A Fenaban, porém, voltou atrás na retirada da verba de requalificação profissional (com reajuste de 2,57%) e na retirada da multa em caso de descumprimento da CCT.
“Os bancos são generosos com os altos executivos, têm lucros elevadíssimos e ainda assim agem com mesquinhes e desrespeito para com a categoria bancária, com índice abaixo da inflação”, pontuou Juvandia Moreira. “Esta última proposta de 2,57% está entre os 0,46% piores reajustes de 2026. Ou seja, 99,54% das negociações salariais, firmadas até agora, garantiram reajustes melhores do que essa proposta da Fenaban, que representa um custo de apenas 0,9% do lucro do setor que, em 2025, foi de R$ 182 bilhões. Sem aumento real não tem como sair desta campanha!”, completou.
Enquanto a Fenaban se nega a apresentar uma proposta decente aos trabalhadores da base, os três maiores bancos privados já aprovaram, para 2026, a remuneração média de R$ 12,5 milhões para os altos executivos – aumento de mais de R$ 1 milhão em relação à 2025.
A também coordenadora do Comando Nacional, Neiva Ribeiro, reforçou que a Fenaban deveria sentir vergonha em apresentar propostas abaixo da inflação. “Estamos falando de um setor que produz um lucro que nenhum outro setor é capaz de produzir”, destacou. “Os bancos precisam rever esses índices, considerando ainda que o aumento real, acima da inflação, é a principal prioridade da categoria, citado por 93% dos respondentes da Consulta Nacional dos Bancários 2026, que ouviu mais de 54 mil bancários, seguido pelo aumento da PLR (63%) e no va/vr (51%)”, completou a dirigente.
Após o posicionamento do Comando Nacional, que destacou o desrespeito dos banqueiros às reivindicações da categoria, a Fenaban terminou a rodada. A negociação será retomada nessa quarta-feira (26).
Na mesa de hoje também foi discutida a reivindicação do Comando Nacional para que as demissões sejam encarecidas. Só entre janeiro de 2025 e julho de 2026, o setor bancário registrou mais de 37.500 desligamentos.
Diante desse cenário e da pressão dos trabalhadores, a negociação de hoje resultou no início da construção conjunta de uma proposta de requalificação e recolocação de trabalhadores desligados.
A categoria seguirá mobilizada, com manifestações nas ruas e nas redes sociais. A recomendação é que todos utilizem a hashtag #QueremosPropostaDecente.
A mesa começou com um minuto de silêncio, a pedido do Comando Nacional, em homenagem a Wander Castro, diretor regional do Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte, que faleceu nesta terça-feira (25).
Por: Contraf
Link: https://www.seebcgms.org.br/campanha-nacional-2026/banqueiros-propoem-reajuste-de-62-da-inflacao-um-dos-piores-de-2026/