20 de Junho de 2026 às 18:19
Campanha Nacional

A 28ª Conferência Nacional dos Bancários concluiu seu primeiro dia de debates neste sábado, 20 de junho. O encontro acontece no Hotel Holiday Inn Parque Anhembi, em São Paulo, e reúne centenas de delegados e delegadas de todo o país.
Representando a base do Sindicato dos Bancários de Campo Grande-MS e Região, estão participando da Conferência a presidenta, Neide Rodrigues e os delegados e delegadas: José dos Santos Brito, Rubens Jorge Alencar, Patrícia Soares e Eloisy Santos Lerner.

A análise da conjuntura internacional e dos desafios para o desenvolvimento do Brasil foi tema da primeira mesa. O convidado para o debate foi o economista, professor, empresário e escritor José Kobori, que apresentou uma análise sobre as transformações geopolíticas em curso e os impactos sobre a economia mundial e o desenvolvimento dos países.

Kobori afirmou que a economia mundial passa por uma transição histórica da hegemonia norte-americana para uma ordem multipolar liderada pela China. Enquanto o Ocidente seguiu a cartilha neoliberal - priorizando o capital financeiro e a especulação -, a China apostou no planejamento estatal, na indústria e na tecnologia para se consolidar como potência.
Kobori lamentou o cenário brasileiro, destacando que o país sofreu uma forte desindustrialização desde os anos 1980 e hoje foca excessivamente na exportação de commodities, o que trava seu desenvolvimento a longo prazo. “Não existe país de primeiro mundo que tenha se desenvolvido apenas exportando soja e carne. O desenvolvimento exige indústria, ciência, tecnologia e planejamento de longo prazo”, concluiu.
Por fim, o economista apontou a perda gradual da predominância do dólar e elogiou o Pix como uma ferramenta estratégica crucial para garantir a soberania nacional e digital do Brasil frente às pressões externas. “A disputa pelo controle dos meios de pagamento e dos dados é uma disputa por soberania. O Pix deixou de ser apenas uma ferramenta financeira para se tornar uma questão estratégica para o país”, destacou.
Na segunda mesa, foram apresentados os resultados da Consulta Nacional dos Bancários 2026. O levantamento, realizado entre 17 de abril e 31 de maio, recebeu 54.952 respostas em todo o país - uma alta de 64% em relação a 2025.

O aumento real de salário lidera isolado com 93% das indicações, seguido pela valorização da PLR (63%) e dos vales-alimentação e refeição (51%).
A manutenção de direitos (65%) e a garantia de emprego (45%) são os eixos centrais. Frente ao avanço tecnológico e da IA, 72% exigem proteção ao emprego e 41% demandam revisão humana em decisões de gestão.
72,6% dos bancários afirmam que o ambiente de trabalho prejudica a saúde mental devido a metas abusivas, e 40% relataram o uso de medicamentos controlados nos últimos 12 meses.
O trabalho remoto (3 ou mais dias) subiu para 20,3%, exigindo maior regulação. Além disso, 92,9% defendem que o financiamento das lutas sindicais deve ser responsabilidade de toda a categoria.
A terceira mesa foi aberta com a palestra do doutor em Economia Social e do Trabalho pela Unicamp e técnico do Dieese, Gustavo Cavarzan, que apresentou o cenário de profundo paradoxo econômico em que a Campanha Nacional Unificada 2026 acontece: enquanto o Sistema Financeiro Nacional (SFN) registra lucros extraordinários, a maior parte da população brasileira enfrenta um comprometimento severo de sua renda, por conta do endividamento e das altas taxas de juros.

Em contraste com a dificuldade financeira das famílias, o setor financeiro vem registrando rentabilidades extremamente elevadas, ano após ano. Entre 2020 e 2025, o lucro líquido do SFN cresceu 114%, com destaque para os bancos digitais, que registraram salto de 2.137% no lucro, seguido pelas cooperativas com 180% de aumento.
Os bancos privados e públicos também mantiveram tendência de alta, com crescimento de 114% e 46%, respectivamente. "Esse desempenho sólido ocorre no mesmo momento em que o setor se acopla à realidade do endividamento da população, extraindo resultados de linhas de crédito com alto comprometimento da renda das famílias", reforçou Cavarzan.
Mas a técnica do Dieese, Rosangela Vieira, destacou que o mercado de trabalho bancário passa por uma reestruturação agressiva, baseada na redução de custos operacionais e na digitalização. "Entre 2024 e 2025, os cinco maiores bancos fecharam 1.345 agências, totalizando queda de 37% na rede física, considerando esse período. Mas a reestruturação não reflete uma retração no setor, que teve lucro líquido de R$ 124 bilhões em 2025, mas sim uma mudança de estratégia para focar em alta renda e no atendimento digital", pontuou a pesquisadora.
Essa reestruturação eliminou 57% das vagas bancárias tradicionais e abriu espaço para a área de TI (+175%). "Nos postos tradicionais que estão sendo extintos, as mulheres representam 62% da força de trabalho. Em contrapartida, nas novas vagas de tecnologia, que estão em expansão, a participação feminina é de apenas 24%, evidenciando a exclusão tecnológica do setor", reforçou.
A quarta mesa de debates da 28ª Conferência Nacional dos Bancários traçou estratégias de comunicação e organização da categoria bancária para a Campanha Nacional dos Bancários 2026, sob a coordenação de Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários.

“Precisamos pensar de forma criativa sobre como fazer esta campanha acontecer. É fundamental levar as informações aos bancários e bancárias, fortalecer nossa organização e contar com a participação de cada trabalhador na divulgação e na mobilização. Uma campanha vitoriosa se constrói com informação, engajamento e unidade da categoria”, destacou Neiva Ribeiro.
Neiva ressaltou que a comunicação é uma ferramenta estratégica para aproximar a categoria das negociações e ampliar a participação dos trabalhadores nas atividades da campanha. Segundo ela, além de informar, é preciso criar formas de interação que permitam aos bancários e bancárias se reconhecerem como protagonistas do processo de mobilização e da construção das conquistas da categoria.
O debate seguiu até o encerramento deste segundo dia da 28ª Conferência Nacional dos Bancários, que segue até este domingo (21), quando serão aprovados o plano de lutas da categoria e a minuta de reivindicações que será entregue à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) no próximo dia 24 de junho.
Por: Contraf - com edição da Comunicação do SEEBCG-MS
Fotos: Reginaldo de Oliveira/Martins e Santos Comunicação
Link: https://www.seebcgms.org.br/campanha-nacional-2026/com-delegacao-do-seebcg-ms-28a-conferencia-debate-conjuntura-saude-mental-e-lucros-dos-bancos/